Tuesday, February 27, 2007

Naufrágio

Pus o meu sonho num navio
E o navio em cima do mar
Depois abri o mar com as mãos
Para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore as areias desertas

O vento vem, vindo de longe
A noite se curva de frio
Debaixo d'água vai morrendo meu sonho
Vai morrendo dentro do navio

Chorarei quanto for preciso
Para fazer com que o mar cresça
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça.

(Cecília Meireles)

Wednesday, January 31, 2007

Verso pendente

Esta causa ardente
Que me inflama e domina
Será o verso pendente
De um poema que termina

Thursday, January 25, 2007